Porteiro é chamado de ‘negro sujo e macaco’ por alunos de escola particular, denuncia racismo e é demitido

Um ex-porteiro de uma escola particular de Campinas (SP) procurou a Polícia Civil após denunciar que foi vítima de racismo no ambiente de trabalho. Segundo ele, foi chamado por um aluno de “negro sujo”, “macaco” e “sub-raça”. Depois de relatar o episódio à direção da instituição, acabou desligado do cargo.

O caso ocorreu em 15 de dezembro de 2025, em uma unidade do colégio localizada no distrito de Barão Geraldo. O boletim de ocorrência foi registrado posteriormente, e a reportagem teve acesso ao documento nesta terça-feira (10). A escola foi procurada e informou que irá se manifestar; o texto será atualizado assim que houver posicionamento oficial.

Rodnei Ferraz, que atua há duas décadas na área de portaria e trabalhava havia quatro meses na instituição, contou que três estudantes do ensino médio estavam no local para realizar provas de recuperação. De acordo com ele, os adolescentes passaram a circular pela frente da escola sem supervisão e entraram em um banheiro, onde começaram a gritar.

“Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (…) Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco’”, relatou ao G1.

O porteiro afirma que ficou atônito com as ofensas. “Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão. E a educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido”, destacou.

Em outro trecho da entrevista , Rodnei desabafou sobre o impacto do episódio: “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo”.

O caso se soma a um cenário de aumento nas denúncias de racismo. Dados do Disque 100 apontam que o estado de São Paulo registrou 1.088 denúncias em 2025, um crescimento de 20,2% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 905 registros. Em Campinas, houve 26 denúncias no último ano, contra 21 no mesmo período anterior. A Polícia Civil investiga o caso. Fonte: BNews

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