Amargosa: Ação social, apresentações de alunos e troca de conhecimentos marcam a Culminância do Projeto Novembro Negro da Escola Dinorah

Para celebrar o “Dia da Consciência Negra”, comemorado em 20 de novembro, a Escola Municipal Professora Dinorah Lemos da Silva, em Amargosa, através dos professores, alunos, coordenação e direção escolar realizaram ao longo do mês diversas atividades alusivas ao Novembro Negro. O projeto teve como foco questões a exemplo da valorização da cultura e da identidade do povo negro; do enfrentamento ao racismo e intolerância religiosa; e do respeito à diversidade, dentre outras.

E, na manhã desta segunda-feira (20), aconteceu a culminância do projeto, onde foram expostas as atividades realizadas pelos estudantes sob a orientação dos professores, bem como o “Novembro Solidário”, em que ex-alunos da unidade escolar que atualmente trabalham em barbearias cortando cabelo, voltaram à escola para uma ação social de corte de cabelo coletivo para os estudantes meninos. O momento contou também com uma oficina de tranças e cachos para as meninas, que tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho das colegas e realçar ainda mais a beleza.

Momentos como estes oportunizam os jovens da comunidade a construção das identidades, uma vez que a cultura está entrelaçada com a formação das identidades sociais, afinal é por meio da educação formal e informal que se aprende sobre os signos das representações culturais e a formação indenitária. Dessa forma, a escola é um dos espaços em que a cultura é aprendida, além de possuir o poder de valorizar ou estigmatizar determinadas formações culturais. Assim, a presença da cultura e identidade negra na escola é fundamental para garantir a sensação de representação/pertencimento àquele espaço

Para finalizar a manhã os estudantes tiveram um bate-papo com a Pedagoga e Historiadora, professora Jorcilene Santana, a qual contextualizou a importância do 20 de Novembro, bem como destacou o papel do ambiente escolar para discussões que levantem esta pauta, pois nota-se a falta de compatibilidade que muitas vezes há do aluno, principalmente, de etnia negra a identificação de seus ancestrais, signos e referências. Porém através das lutas do movimento negro ao longo do tempo, houve o aumento da valorização e reconhecimento da participação da cultura africana na construção da sociedade, fato que pode condicionar a ampliação dos horizontes dos alunos quanto à aceitação, reconhecimento e aprendizado.

Para o diretor escolar, Amilton Nunes, a escola assume um papel fundamental no processo de reafirmação e valorização da cultura e história afro-brasileira como forma de combater o racismo e a violência. Essas rodas de conversa, atrelada às atividades pedagógicas fortalecem a identidade dos nossos estudantes, além de dar legitimidade e visibilidade às vozes destes sujeitos que se dispõem a estar juntos conosco nesta jornada”.

Angélica Silva, vice-diretora da unidade escolar ressaltou que “discutir a real importância da cultura e identidade negra na escola é resgatar a autoestima e criar novas perspectivas na forma do cidadão enxergar-se como igual aos demais. Dessa maneira, cria-se um âmbito escolar em que os professores atuem como agentes construtores e empoderadores das questões étnicas, no que diz respeito ao resgate da história e sua contribuição na formação do país e do cidadão”.

A cultura e identidade negra na escola sempre foi um tabu a ser quebrado, algo que durante muitos anos foi escondido da sociedade, em especial nas escolas, seja nas expressões culturais ou em outras formas. Atualmente, há uma crescente valorização da cultura negra e percepção da necessidade de conceder espaço a ela nos espaços formais de educação. A luta é pelo fortalecimento da cultura e identidade negra na escola, a fim de preparar jovens para uma sociedade multicultural e mais justa.

      

 

 

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