Sustentando a saúde mental em período de isolamento social; psicólogo esclarece

Podemos, sem auxilio estatístico, afirmar que a sociedade tem há muito tempo deixado sua saúde mental aquém da saúde física. Academias de musculação e consultórios médicos andam cheios, no entanto, o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS continua sendo visto sob o olhar do preconceito e os cuidados com a psique como prática para os desprovidos da razão. No entanto, as angústias não são esquecidas: elas estão em baixo do “tapete social”. 


Como assim? O que ampara as pessoas a não surtar são os reforços sociais, como estar em grupos e ter assuntos em comum para sentirem-se pertencentes. Nesta mesma perspectiva, o filósofo Martin Heidegger aponta que o falatório é o ato de criar histórias. A grosso modo, entretendo-se para evitar as angústias e a aceitação do tempo e do “ser-aí no mundo”; o falatório afasta a possibilidade da descoberta de mundo, do “ser-para-a-morte”, e por isso experimenta a angústia. Vamos descomplicar para alcançar o objetivo! 


Nós não estávamos psicologicamente preparados para o isolamento social. Mesmo em período de tantas possibilidades de comunicação virtual, a soma da pandemia do COVID-19 com as medidas que devem ser tomadas para evitar sua expansão pode ter um resultado devastador. É um período de total insegurança e os alicerces que antes nos seguravam agora estão fragilizados. Não contamos mais vantagens individuais para nossos grupos, não somos mais assunto; não temos como fugir de nós mesmos, pois há algo maior e perigoso à espreita. Como não nos cuidamos psicologicamente, por nos conhecermos bem pouco, nos estranhamos em isolamento social facilmente e recorremos ao fatalismo, onde os acontecimentos são produzidos de forma irrevogável e isso é preocupante. A ideia de que tudo pode piorar, a insegurança dos próximos e si próprio e a crença de que o vírus será fatal, desperta inúmeras crises do pânico/ansiedade. 


Contudo, o isolamento social é justamente para evitar chegarmos ao colapso. Enfim, o que nos resta? Como enfrentar? Afirmo que não há uma receita pronta, mas enquanto psicólogo, posso deixar algumas dicas: empatia e enfreamento do lugar de conforto! Seja cordial e atencioso com as pessoas. Inclusive, reveja desavenças, questione se realmente há motivos para não ter mais contato com alguém. Essas crises nos mostram quão pequenos somos. 


Busquem saber como estão seus amigos: o egoísmo e a competição estimulada pelo capitalismo estão sujeitos a indagação e tendem a padecer. Se você sofre de ansiedade, busque recursos para ocupar seu tempo e evite excessos de notícias. Afinal, se olhar muito para um buraco pode sentir demasiada vertigem e cair nele. Outra questão: passado essa crise, pois outras pandemias já se passaram e essa certamente vai passar, procure fazer terapia. Por fim, existem duas grandes forças aliadas: a ciência, que está à disposição e precisamos lembrar sempre da importância desta na sociedade, e a nossa fé, que nos enche de esperança em dias melhores.


Thiago Rebouças Peixoto de Almeida. É psicólogo Social e Clínico, atuante como Coordenador do Centro de Referência Especializado em Assistência Social de Amargosa – CREAS. Eventualmente escreve textos jornalísticos de opinião e participa de entrevistas em rádio.

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