Neto tenta aplacar crise com deputados após apoio do DEM a Baleia Rossi

A bancada dos deputados federais do Democratas vai se reunir na próxima segunda-feira com o presidente nacional da sigla, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, na busca por uma pacificação interna após a crise deflagrada com a escolha de Baleia Rossi (MDB-SP) para ser o candidato à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados.

A oposição à escolha de Maia é encabeçada pelo deputado federal Elmar Nascimento (DEM), que foi preterido na indicação de Maia à sucessão, e Arthur Maia (DEM). Magoado, Elmar declarou apoio ao líder do centrão e candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), e passou a atuar nos bastidores costurando acordos em favor do pepista.

No último final de semana, Elmar recebeu Lira na Bahia e o acompanhou em diálogos com parlamentares de diversos partidos. Informações de bastidores dão conta de que o candidato do MDB também esteve em solo baiano para falar com parlamentares da base e teria até se encontrado com Rui Costa, segundo um interlocutor da base do governador que não quis se identificar.

“Segunda-feira teremos a 1ª reunião da bancada baiana com o presidente nacional para iniciarmos a discussão desse cenário.

Na bancada existem preferências individuais por um ou por outro candidato, mas o nosso objetivo é construir um encaminhamento em que a bancada possa ter um posicionamento único; e é claro que a avaliação do nosso presidente pesará muito nessa definição que não tenho dúvidas será consensual”, afirmou o presidente do DEM Bahia, o deputado federal Paulo Azi.

Um parlamentar do Democratas, que pediu para não ser identificado, avaliou como “muito difícil” que haja uma unidade no partido, já que há “laços de amizade muito fortes” de deputados do DEM da Bahia com Lira, ao contrário do que ocorreria com Rossi. Outro fator que joga contra o candidato do MDB é o fato dele ter o apoio de Rodrigo Maia, que está “queimado” com a maior parte da bancada da Bahia.

“Acho difícil ter uma coesão de 100% para qualquer candidatura. Quando Elmar foi preterido, a forma como se deu… Praticamente o jogaram no colo do Lira. Não houve diálogo para decisão, Maia nem sequer estabeleceu um critério para justificar sua indicação. Até porque, Elmar conta com muito mais densidade e condição de candidatura do que o próprio Baleia Rossi ou Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Elmar é muito aglutinador, tem penetração grande na bancada e articulação ampla com outros partidos, deve conseguir muitos votos. Como em tese o bloco de [Rodrigo] Maia é numericamente maior do que o do Lira, Arthur [Maia] está atuando para rachar as bancadas; ele já disse que do PSB leva metade e do PSDB também, essa é a estratégia dele”, explicou o deputado federal.

O parlamentar criticou também a demora do partido em marcar uma reunião para discutir o tema, fazendo com que deputados federais sejam cotidianamente informados pela mídia acerca das movimentações do partido.

“Golpe parlamentar”

Membro da bancada baiana, o deputado federal Arthur Maia (DEM) fez duras críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele afirma que o imbróglio no partido é culpa da tentativa de “golpe parlamentar” via “STF” impetrada pelo deputado carioca, que tentava “se perpetuar no poder”.

“O STF não teve coragem de permitir essa reeleição, o que seria uma tragédia para o Brasil. Se houvesse reeleição, é claro que um presidente com um orçamento de R$ 6 bilhões ao ano, milhares de cargos à disposição, poder de influência no Executivo para liberação de emendas, seria reeleito. Por isso é vedada a reeleição no mesmo mandato. Rodrigo [Maia] tentou burlar a norma, e, felizmente, o STF impediu”, destacou Arthur.

O deputado federal criticou ainda o fato de Rodrigo Maia ter se reunido e costurado acordos com partidos da esquerda. Ele destaca que no DEM, em se tratando de eleição na Casa, “a decisão final é dos parlamentares”, através de uma “lista que chancela o apoio ao candidato e uma eventual composição de bloco, “e não de Rodrigo Maia”.

“Eu não concordo de maneira nenhuma que Rodrigo [Maia] venha fazer aliança de nossa base com partidos da esquerda que nós derrotamos. Antes de definir isso ele tinha que consultar a bancada. Eu não vou seguir orientação de Maia, ele está colocando de maneira inverídica que ele tem o comando do DEM. Ele não tem, e isso vai ficar claro lá adiante, quando rodar a lista. O Partido só faz acordo com outros blocos quando todos os parlamentares assinam a lista confirmando”, afirmou o deputado.

Fonte: Atarde

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