Estudante da UFRB morta a tiros tinha medida protetiva contra o ex

Foto: rede social

Já foi identificado o acusado de matar a estudante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, assassinada a tiros na noite desta quarta-feira (27) na cidade de Cachoeira no Recôncavo da Bahia. Trata-se do ex-namorado dela, Alexandre Passos Silva Góes que até o momento não foi encontrado pela polícia.

A identificação do acusado foi possível através do depoimento de uma testemunha: uma colega da universidade que estava ao lado de Elitânia na hora dos disparos. O CORREIO teve acesso ao boletim de ocorrência do fato. Em um dos trechos, a testemunha tem a certeza de que o crime foi cometido por Alexandre. 

“Que reconhece sem dúvidas a pessoa de Alexandre Passos Silva Góes como o autor dos disparos, pois já o tinha visto pessoalmente e também através de fotos”, diz trecho do documento.  

No entanto, o delegado do caso, João Mateus Correia Menezes, titular da delegacia de Cachoeira e interino de São Félix, declarou apenas que “o autor é uma pessoa com quem a vítima havia tido um relacionamento”. 

O delegado disse que um mandado de prisão do suspeito já foi solicitado à Justiça.  Ainda de acordo com ele, o motivo do crime foi a não aceitação do fim do relacionamento e que a vítima vinha sendo ameaçada.

Na manhã desta quinta-feira (28), professores e alunos da universidade fizeram um protesto. Elitânia cursava o 7º semestre de Serviço Social na UFRB.

Crime
Era por volta das 22h40 quando Elitânia tinha acabado de deixar a UFRB, no Centro da cidade. Ela e uma amiga caminhavam rumo ao Quilombo Tabuleiro da Vitória, na zona rural da cidade, onde moravam. 

Quando caminhavam na Rua do Fogo, ainda no Centro, as duas foram surpreendidas pelo acusado. De acordo com as informações do boletim de ocorrência, a testemunha disse que Alexandre atirou três vezes contra Elitânia. Ela relatou que não soube distinguir se era um revólver ou uma pistola, mas que a arma era de cor preta. Disse ainda que o acusado “usava  um boné de cor escura, calça jeans e camisa longa. Que Alexandre não falou nada e saiu correndo após os disparos”. 

Elitânia foi socorrida para o hospital municipal da cidade, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia, os disparos foram efetuados entre o tórax e a cabeça. 

Medida 
Segundo o delegado João Mateus, Elitânia tinha uma medida protetiva contra o acusado concedida pela Justiça em Cachoeira.  “O que a gente buscava era elementos para pedir a prisão do acusado, inclusive a vítima ficou de levar a avó para prestar depoimento no Ministério Público”, disse.  

Outra medida protetiva chegou a ser solicitada na comarca de São Félix. “Ela morava com a amiga há um ano aqui, em Cachoeira. Mas antes, morou um ano com o acusado em São Félix, onde registrou a primeira queixa de agressão”, contou o delegado. 

Dor
A notícia da morte de Elitânia deixou estudantes, professores e funcionários da universidade consternados – uma faixa preta foi estendida na entrada da instituição. Além de aluna da UFRB, Elitânia era secretária do Núcleo de Turismo Étnico Quilombola de Cachoeira e do projeto Maravilhas do Quilombo.

“Ainda estou em estado de choque. Ficamos sabendo logo após o ocorrido e passamos a madrugada arrasados”, declarou o vice-diretor do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da UFRB, campus Cachoeira, Gabriel Avilar. 

A professora do curso de Serviço Social Heleni Àvila lamentou a morte brutal da aluna. “Uma ótima pessoa, uma liderança quilombola. Um exemplo para todos de luta e representatividade”, disse. 

Elitânia chegou a cogitar como projeto de conclusão de curso o tema Feminicídio, mas acabou desistindo. “Ela desistiu por que o assunto mexia muito com o emocional dela, pois apanhava do ex-companheiro. Ela já chegou aqui com marcas no corpo”, declarou o professor João Paulo Aguiar, orientador dela do trabalho de conclusão. Elitânia optou, então, por um tema relacionado à  inserção de crianças quilombolas no ensino regular. 

Protesto
Era por volta das 10h30 quando professores e alunos deixaram a UFRB e seguiram para o Fórum Augusto Teixeira de Freitas. A maioria vestia preto em sinal de luto e algumas levavam cartazes pedindo justiça.  “Não podemos aceitar isso. Hoje foi Elitânia, amanhã será mais quem? Quantas mulheres precisam morrer para que uma atitude seja tomada”, declarou Angélica Santos, aluna do curso de Serviço Social. 

“Ela era uma pessoa muito linda e.corajosa. Sabíamos dos seus problemas com o ex-namorado, mas o medo não a fez desistir do curso”, lamentou Ana Paula Faria, também aluna de Serviço Social.

A Universidade decretou luto oficial de três dias pela morte da estudante e lamentou “as terríveis circunstâncias do crime” e pede Justiça.

Fonte: Correio 24h

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