Criança de 12 anos mora em barco com pai em Salvador, ’chegamos a comer ração para cachorros’

Foto: Reprodução/TV Bahia 

Há três anos, uma criança de 12 anos mora em um barco junto com o pai e um idoso que ela considera avô, em Salvador. A embarcação onde a família fica está parado na orla do bairro da Ribeira. Em dias de chuva ou quando a maré sobe, o barco, que tem furos no casco, chega a ficar inundado.

Seu Nivaldo Santos é pescador e foi o primeiro a ir morar no local, há 15 anos. Ele convidou Carlos Roberto e a filha Clara Roberta para morar no barco após os dois serem despejados da casa em que viviam.

Segundo Carlos Roberto, que já viveu em situação de rua, ele morava com a filha na casa de um idoso, de quem cuidava, em troca de comida. Ele foi despejado há três anos, após a morte do chefe.

“Meu sonho é ter um cantinho, até porque ela [a filha] está crescendo também e quer ter a privacidade dela e ajudar esse senhor [Nivaldo] aqui, que ajuda mais do que nunca nós dois”, disse Carlos.

O homem, que está desempregado, destaca a gratidão ao idoso que o acolheu com a filha. “Não é meu pai biológico, mas é o maior pai que eu tive, abaixo de Deus. Nas horas que eu mais preciso é ele que me apoia. A gente trabalha junto, o mesmo tempo no mar, nossos amigos já faleceram, o barco já naufragou, nós temos histórias para contar e, para mim, esse velho é um guerreiro”.

Por conta das dificuldades financeiras, Nivaldo, Carlos e a filha Clara Roberta precisaram comer ração para cachorros por uma semana.

“Eu dizia para minha filha que ruim com ele [ração] e pior sem ele, vamos agradecer até porque o cachorro não morre, então porque a gente vai morrer? Depois as coisas melhoraram um pouquinho, mas a gente chegou a comer ração de cachorro”, completou.

A família mora em um barco no bairro da Ribeira, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia
Foto: Reprodução/TV Bahia 

A embarcação em que Nivaldo, Roberto e Clara vivem é pequena e apresenta furos nos cascos. A menina conta que quando chove na região ou a maré fica alta, é preciso acordar para retirar a água da embarcação.

“Tem que acordar no meio da noite para poder tirar [a água]. Se não, a gente acorda nadando”, explicou Clarinha, como é conhecida pelos amigos.

Sem muito espaço dentro do barco, a garota dorme no mesmo local onde fica a casa de máquinas, compartimento do casco da embarcação, onde são instalados o motor e os comandos para o funcionamento do transporte.

“A gente arruma, puxa o colchão, forra, bota o travesseiro e dorme com o lençol”, disse a menina.

Mesmo diante das dificuldades, a família permanece unida. Carlos Roberto conta que faz feijão para que os três consigam comer por pelo menos quatro dias.

“A gente faz feijão para três dias ou mais. Não temos geladeira, então a gente vai fervendo, fervendo, felizmente Deus vai deixando a gente viver como ele vai permitindo e há de melhorar, em nome de Jesus”.

G1/ Foto: Reprodução/TV Bahia

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