Craque da Islândia teve de pedir liberação de fábrica de sal para jogar a Copa

Assim que sentou para a entrevista antes do jogo contra a Argentina, concedida na véspera do empate por 1 a 1 no sábado (16), o técnico islandês Heimir Hallgrimson não quis perder tempo. “Como sei que vocês vão perguntar, já vou logo dizendo: sigo sendo dentista e para sempre serei dentista”, afirmou.

De férias do trabalho e ocupado com a Copa do Mundo, ele estará à beira do gramado nesta sexta-feira (22) para comandar sua equipe contra a Nigéria, em Volgogrado.

Trabalhar com futebol e ter uma outra profissão não é algo incomum na Islândia. O esporte ainda é semi-profissional no país e o campeonato local, jogado de abril a setembro para fugir do rigoroso inverno, quase obriga aqueles que jogam por lá a manterem mais de um emprego.

Quando ainda atuava na liga nacional, o goleiro Hannes Halldórsson dividia os treinos e jogos com a direção de filmes e comerciais. Hoje, joga na Dinamarca e se ocupa com o universo audiovisual apenas por hobby.

Além de Hallgrimson e Halldórsson, há outro representante da Islândia na Rússia que mantém dois empregos.

O lateral direito Bikir Saevarsson, porém, não o faz por diversão nem pela necessidade do dinheiro, mas sim porque não suporta ficar desocupado durante a pausa do campeonato local.

“Eu não posso simplesmente ficar sentado o dia todo sem fazer nada. Eu não queria ficar preguiçoso antes da Copa”, disse Saevarsson em entrevista à Associated Press.

Único jogador da seleção que atua no país, o camisa 2 trabalha em uma fábrica de sal na zona industrial da capital Reykjavík e precisou pedir permissão ao chefe para que pudesse servir ao outro patrão, o técnico da equipe nacional, no Mundial.

“Isso é normal para um islandês, entende? Mais normal do que ir para uma Copa do Mundo”, afirmou.

Jogador do elenco com mais atuações pela Islândia, ele fez seu 80º jogo no duelo com a Argentina, no qual ajudou seu time a parar Lionel Messi no empate em Moscou.

Dois anos antes, a equipe já havia parado Cristiano Ronaldo na Eurocopa, quando empatou por 1 a 1 com Portugal na fase de grupos. Na sequência, eliminou a Inglaterra nas oitavas de final do primeiro torneio internacional para o qual se classificou.

Saevarsson, 33, é jogador do Valur, clube tradicional de Reykjavík e último campeão da liga nacional.

A equipe joga em um estádio com capacidade para cerca de 3.000 pessoas, com grama sintética. Durante o inverno, a neve castiga os gramados do país, inviabilizando a manutenção de campos com grama natural.

Depois dos meses mais frios, cabe aos próprios jogadores do Valur limparem a neve que cobre o gramado. Saevarsson, claro, ajuda os companheiros de clube.

Nesta sexta, contra a Nigéria, a Islândia vai em busca de sua primeira vitória em Copas do Mundo na história. A seleção, que há dez anos era a 112ª no ranking da Fifa, pode neste Mundial complicar mais ainda a vida da Argentina e tirá-la da competição.

Para isso, precisará vencer a Nigéria e não perder da Croácia, na última rodada do Grupo D, na próxima terça (26).

Na história do futebol, 2018 poderá marcar não só a primeira vez dos islandeses, mas a Copa em que um time formado por um dentista, um cineasta e um funcionário de uma fábrica de sal deixou para trás a Argentina de Messi.

TRÊS ISLANDESES NÃO VIVEM SÓ DE BOLA
Birkir Saevarsson
É numa fábrica de sal na zona industrial de Reykjavík que o atleta com mais jogos pela seleção entre os que estão na Copa ocupa o tempo durante a pausa do Campeonato Islandês.

Hannes Halldorsson
Goleiro titular do país nórdico foi diretor de clipes musicais, documentários e comerciais de TV. Hoje, joga na Dinamarca e filma por hobby e pelo amor ao cinema.

Heimir Hallgrimson (treinador)
O dentista formava com Lars Lagerback a dupla de treinadores que classificou a Islândia para as quartas da Euro-16. O sueco saiu, e Hallgrimson levou o país à Copa.

Fonte: Bocão News

Compartilhe

Copyright © Recôncavo Notícias - Jornalismo com Profissionalismo