Bandeira contra o comunismo é colocada no Morro do Corcovado no Rio de Janeiro

RIO – Uma bandeira anticomunismo amanheceu estendida em uma das laterais do Morro do Corcovado neste sábado, dia do bicentenário do alemão Karl Marx, considerado o “pai” do comunismo. Da Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, e da Rua Jardim Botânico, é possível visualizar a bandeira, de fundo vermelho, que apresenta os símbolos da foice e do martelo em amarelo cortados por uma tarja preta e circundados pelas frases “O Brasil jamais será vermelho” e “Fora comunismo”. Embaixo, estão escritos os nomes dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Desde o início da tarde, bombeiros trabalham para tirar a bandeira do local.
De acordo com a assessoria de imprensa do Santuário do Cristo Redentor, o responsável pelo ato ainda não foi identificado, mas a hipótese mais provável é a de que a bandeira tenha sido colocada durante a madrugada. Imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas em busca de suspeitos.

Em nota, a assessoria de imprensa do Parque Nacional da Tijuca condena a manifestação e informa que o ato foi totalmente irregular. O órgão também trabalha com a hipótese de a bandeira ter sido colocada durante a noite, fora do horário de funcionamento do parque, quando é proibido circular por suas trilhas. De acordo com a nota, o uso noturno das trilhas do parque não é permitido por colocar em risco os visitantes, a floresta e os animais.

Procurado pelo Globo, o ambientalista Rogério Rocco levantou a possibilidade de a bandeira ter sido colocada no local por alpinistas experientes na prática, devido ao nível de dificuldade para acessar a área:

– Provavelmente isso foi feito por pessoas contratadas por quem elaborou a faixa. Não é qualquer pessoa que pode chegar até ali, muito menos andando – diz Rocco, explicando, ainda, que se não houve dano ao meio ambiente ou ao patrimônio cultural, o ato de colocar a bandeira no local não configura um crime ambiental.

A Bandeira atraiu olhares de curiosos ao longo do dia. Um deles foi o morador do Jardim Botânico Jader Diaz. Ao parar para fotografá-la, ele se mostrou indignado:

– Deve ser coisa de algum grupo extremista. Algo de quem não tem o que fazer. Espero que tirem logo a bandeira do morro.

Já Raphaela Kubicheski passeava pelo Baixo Bebê, nas margens da Lagoa, e demorou a perceber do que se tratava:

Já os visitantes do Cristo Redentor não conseguiam visualizar a bandeira, que só podia ser vista por quem estava fora do parque, olhando de baixo para cima.

Na Alemanha, as manifestações pelo bicentenário de Karl Marx são controversas. Vários protestos foram programados para denunciar o legado do autor de “O capital”. Em Tréveris, terra natal de Marx, no entanto, foi inaugurada uma exposição permanente na casa onde Marx cresceu. Há ainda 600 eventos comemorativos programados para os próximos meses na cidade, como exposições, peças teatrais e palestras.

Fonte: O Globo

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